
Manuel João Vieira, quem é este irmão catita?
Na revista Magazine - Grande Informação deste mês vem uma reportagem sobre mais um candidato, desculpem "O Candidato", corrosivo como só ele sabe que pode ser e, por mim, que se valha de o poder ser. Como escreveu o autor do texto "O homem não é nenhum banana", isso é um facto, como artista ele provou que sabia o que dizia, dando voz às suas músicas (que saudades dos Irmãos Catita no Ritz Club, mais as Tequilhas que bebia e tentando fazer parte do coiro, cantava e cada vez mais alto, pois eu não me ouvia e fazia questão que o Manuel João me ouvisse, lá de cima do palco, onde agarrado à sua garrafa de tinto, malhava com sarcasmo em tudo o que podia).
Boa noite, cavalheiros,
Bom dia, para as senhoras!
Fim de tarde em Lisboa num dado dia de Dezembro de 2005. Manuel João Vieira, músico, artista plástico, actor e, pela segunda vez, candidato à presidência da República, chega à Faculdade de Direito de Lisboa. Atrás de si uma equipa de filmagens pessoal e, na mão do candidato está um cavaquinho.
Entra no auditório da faculdade, onde é recebido com aplausos por uma assistência antecipadamente rendida aos "encantos" deste outsider da política nacional.
O candidato Vieira despe o casaco e fica com o impecável fato de político. Gravata berrante. Brinca com o microfone, pois isso é algo que ele, como músico, bem entende.
Arranca as primeiras de muitas gargalhadas à audiência quando lança o cumprimento:
"Muito boa noite, cavalheiros, bom dia, para as senhoras!".
O ambiente é receptivo ao discurso.
A loucura pode começar.
Ao longo de 20 minutos, Vieira vai dizer coisas muito sérias. Embrulhadas em notas irónicas, ou sarcásticas, dependendo da fantasia de cada um. Às vezes, apenas zomba, por outras, é certeiro no colocar o dedo na ferida.
Diz que Cavaco Silva não pôde vir por isso trouxe consigo um cavaquinho: "E também é feito em pau!".
Começa o discurso do candidato Vieira, que é seguido com atenção, interrompido apenas pelos aplauso e gargalhadas. Muitas gargalhadas.
"A Pátria portuguesa corre perigo. Não corre, porém, muito perigo. Corre, isso sim, um perigo imenso. Porém, a Pátria corre algum perigo... Senão vejamos: qual é a paisagem que nos assombra hoje em dia quando olhamos para este País?
Um povo, que já não é povo. Já não existe o Zé-povinho propriamente [faz um manguito. Gargalhadas]... Existe outra coisa qualquer. Um país que já não é um país., tem algumas infra-estruturas vestigiárias de um país, mas também se encontram perto dos rios alguns resquíciops da vegetação autoctóne, carvalhos, mas a maior parte é eucaliptos. Onde é que nós estamos? Na Austrália? Um país que já não é país, liderado por políticos que já não são políticos, caso do Cavaco".
A SIC vai dedicar, hoje, cerca de duas horas da sua emissão ao músico Manuel João Vieira, com a passagem do documentário O Candidato Vieira, que será seguido pelo concerto dos Ena Pá 2000, 20 Anos a Pedalar na Bosta.
A noite Vieira começa na estação de Carnaxide à meia-noite, com o documentário de 50 minutos sobre a campanha do próprio em 2001. Trata-se de uma comédia musical política que engloba as suas aparições em programas televisivos, de rádio, comícios e momentos de bastidores da campanha presidencial, com excertos de concertos das suas três bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum.
Cerca de uma hora mais tarde e durante 70 minutos veremos o concerto 20 Anos a Pedalar na Bosta, gravado no Paradise Garage em Lisboa no passado dia 30 de Novembro.
O concerto conta também com um discurso especial do candidato Vieira, no dia em que caiu o Governo, e com ilustres convidados como Tony Barracuda, Suzie Peterson e Phil Mendrix, o melhor guitarrista de Portugal.
Os dois filmes são realizados por Bruno de Almeida, numa produção conjunta da Arco Films e da Valentim de Carvalho.

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