segunda-feira, outubro 1

Uma Biografia... Uma Referência

The National



Ajustando-se aos ritmos num território criativo entre o rock electrónico e o indie rock americano, balançaram os ritmos mais maduros, o presente de The Nacional finalmente mais melodioso. Com as suas composições brilhantemente inspiradas, também por um jogo das influências, incluíndo o country-rock e mesmo pop/rock britânico. Oriundo de Ohio, o grupo tomou forma em New York nos anos 90. Com uma formação de cinco elementos, é composto pelos irmãos Scott (guitarra) e Bryan Devendorf (bateria), Aaron (baixo) e Bryce Dessner (guitarra), e pelo vocalista Berninger matt. Depois de uma série de apresentações ao vivo, o grupo controlou eventualmente entrar no estúdio para gravar o seu primeiro registo. The Nacional, dá o seu próprio nome ao albúm, batendo records de vendas em 2001 e conseguindo uma aclamação considerável. O grupo natural de Ohio continuou então a tocar ao vivo em diversas frentes, crescendo e amadurecendo a sua performance, conquistando assim uma massiva legião de fãs. Em 2003 o grupo lança Sad Songs For Dirty lovers, mistura o country alternativo alternativo numa fusão com o rock de câmara, seguindo-se a EP - Cherry Tree em 2004. O ano seguinte a banda assinou mais um registo com a editora Beggars Banquet e lança Alligator. The Nacional retornou em 2007 com Boxer, um esforço ambicioso e característico conta com a participação e orquestração de Clogs’ Padma Newsome e por Sufjan Stevens no piano.
Para uma banda que tem fortes influências de Joy Division, Leonard Cohen, Wilco e Nick Cave and The Bad Seeds, The National aproxima bem mais as suas raízes a músicos como The Czars ou Uncle Tupelo no álbum Sad Songs For Dirty Lovers, sem no entanto deixar de revelar a "fúria" angular de Joy division, o existencialismo de Cohen e uma forte identidade que abraça a intuição de Nick Cave.

Sem dúvida, uma banda cheia de referências que recomendo vivamente, apaixonante, mística, romântica e envolvente.
Discografia




Álbum
The National
Editora
Brassland
Editado em
30/Out/2001




Álbum
Sad Songs for Dirty Lovers
Editora
Brassland
Editado em
02/Set/2003




Álbum
Alligator
Editora
Beggars Banquet
Editado em
02/Set/2003





Álbum
Boxer
Editora
Beggars Banquet
Editado em
22/Maio/2007

domingo, abril 1

Saints are down


O Retrato de Dorian Gray


Dorian Gray era um jovem de 20 anos pertencente à alta burguesia inglesa, de uma beleza física inimaginável, e foi retratado pelo pintor Basil Hallward, que se apaixonou pelo rapaz. Lorde Wotton era um homem extremamente inteligente, perspicaz, irônico e com grande vivência nos relacionamentos humanos, capaz de exercer forte influência sobre as demais pessoas.

Este era amigo de Basil e tornou-se muito próximo de Dorian, passando a instigá-lo e a "estudá-lo" em suas reações e atitudes. Quando Dorian Gray deparou-se com a obra pronta (seu retrato) disse: "– Que tristeza! – murmurou Dorian. – Que tristeza! – repetiu, com os olhos cravados na sua efígie. – Eu irei ficando velho, feio horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... se fosse o contrário! Se Eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre Eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que Eu não estivesse pronto a dar a troca. Daria até a alma!". A partir daí, temos o desenrolar da história.

Dorian apaixona-se por uma jovem artista, Sibyl Vane, que se apresentava num pequeno teatro. Então lhe fala em casamento. A moça, muito humilde, fica lisonjeada. Sua mãe e irmão, que estaria ingressando na Marinha, ficam preocupados. Dorian convida seus dois amigos, Basil e Lorde Wotton, para assistir a uma das apresentações da moça. Nessa noite, a moça representa muito mal. Dorian fica consternado. Seus amigos vão embora dando-lhe palavras de estímulo, enaltecendo a beleza da moça. Dorian vai até o camarim. Sibyl está feliz, e diz-lhe que, de agora em diante só viverá para o amor de Dorian.

Toda a energia vital de Sibyl estava dirigida ao representar; assim que se apaixonou, sua energia foi dirigida para o objeto amado e apresentou-se como uma artista medíocre. Isto levou Dorian a desapaixonar-se. Então, ele a humilhou e desprezou. Virou lhe as costas para nunca mais voltar. Ao chegar a casa, Dorian, dirigiu-se a seu quarto e, ao olhar seu retrato, quase ensandeceu, ao perceber que o quadro havia se alterado. Seu sorriso não era mais o mesmo. Caracteriza-se pelo cinismo e maldade. Refletiu e percebeu que o quadro refletia sua alma. Portanto, deveria desculpar-se com Sibyl, assim o quadro voltaria ao normal. Entretanto, era tarde demais, Sibyl havia cometido suicídio.

A partir de então, Dorian passou a viver tudo que lhe era ou não permitido. Passou a ter uma conduta fria e interesseira com todos à sua volta. Induziu pessoas a atos vulgares e criminosos, sempre impune. Assassinou seu amigo Basil, à facadas, quando este descobre o que está acontecendo. Leva outro amigo, um químico, ao suicídio após induzi-lo a desfazer-se do cadáver de Basil. Apenas o quadro se alterava, transformando-se numa figura monstruosa sendo que das mãos da imagem gotejava sangue.

Dorian já contava com 40 anos, quando pensou em curar sua alma. Pensou em levar uma vida pura, sem magoar quem quer que fosse. E por isso não se aproveitou de uma camponesa. Ele se dá conta de que sua soberba o levou a esta vida de pecados. Amaldiçoou sua beleza e mocidade e pensou que sem elas sua vida seria pura. O que mais lhe doía era a morte, em vida, da sua alma. Dorian havia escondido o quadro num quarto desocupado, que fora de seu avô.

Sobe até o quarto, olha o quadro e grita de terror. Apesar de suas "boas ações", o quadro não se alterara para melhor como supunha, continuava a gotejar sangue ainda mais vivo e estava mais horrendo. Então Dorian percebe claramente a verdade: por vaidade, ele poupara a camponesa e a hipocrisia pusera-lhe no rosto a máscara da bondade. A única prova de seu mau caráter, de sua consciência, era o quadro. Então, resolveu destruí-lo. E, com a mesma faca com que matou Basil, trespassou o retrato. Ouviu-se um grito. Os criados acudiram. E, quando conseguiram adentrar ao quarto, viram na parede o magnífico retrato, e, no chão, jazia o corpo de Dorian, com a faca cravada no peito, que só pôde ser reconhecido pelos anéis em seus dedos.

Oscar Wilde

domingo, março 25

A song



Sacred Life


Abbie Hoffman was so young
Don't you know your king has gone?
Mmm, well well
River Phoenix was so young
Don't you know your prince has gone?

Hey, hey there sister
What is holy in your life?
Hey, hey brother
Sacred in your life?

Kurt Cobain was so young
Sad to see this poet's gone
Andrew Wood was so young
It's hard to feel this priest is gone

The heat is up
The heat is on
The heat is up
The heat is on
What you do is what you get
Don't be surprised by that effect, oh no


Hey, hey there sister
What is holy in your life?
Hey, hey there brother
What is sacred in your life?
Hey, hey there sister
What is holy?

Holy in your life
What is good?
What is pure?
Holy in your life
What is safe?
What is secure?
Holy in your time
Yeah, what is free?
What is me?
Holy in your mind
Sacred and secure
Do we need much more?

Hey, hey there sister
What is holy in your life?
Hey, hey there brother
Was is sacred in your life?
Hey, hey hey sister
What is holy, holy, holy in your life?
Hey there brother
What is safe?
What is secure and sacred in your life?
Well

Ba-ba-ba-ba-ba...

The Cult - Ian Astbury

quarta-feira, agosto 16

Um prémio literário para Gabriel O Pensador


"O nome do Rorbeto era assim, meio diferente. Na vila onde ele morava não tinha luz nem gás, mas isso não importava, pois ele gostava era de nadar nas águas do velho rio, subir na jaboticabeira e jogar futebol até a noite chegar. Lá todos os moradores se tratavam como parentes, até mesmo o cachorro Filé.Assim como o rio, o curso da vida corria, e o Rorbeto cresceu um menino esperto e curioso. Aprendeu sozinho muitas coisas, inclusive a contar os amigos na ponta dos dedos: o pai, a mãe, o cão Filé e mais três. É aí que vem o susto: "Seis dedos em uma mão só?".

Gabriel O Pensador viu uma das suas composições ser vetada pela censura "Tô Feliz (Matei o Presidente)".
Com um estilo musical bem definido, o rap intervencionista do músico brasileiro depressa se distinguiu com diversos temas e álbuns como, "Lôraburra", que lhe valeu Disco de Ouro após ter sido editado em Portugal, "2345meia78", um outro hit nos TOP's de rádio, projectam Gabriel O Pensador para o auge da sua carreira.

Parece que a música não não é a única plataforma em que "O Pensador" consegue singrar, dedica-se à escrita e edita "Diário Nocturno", um livro que nos mostra a essência do músico/escritor, sobre angústias, talentos, crises existenciais que nos assolam a todos durante as nossas vidas.

"Um garoto chamado Rorbeto", publicado em 2005, esta obra de Gabriel O Pensador, vale-lhe um prémio literário. Um livro que conta a história de uma criança, que descobre que é diferente das outras pessoas.
O seu nome Rorbeto, errado por seu pai ser analfabeto, a felicidade quando descobre que tem uma mão perfeita.
"Uma verdade comovente", escrita em verso, foi galardoado com o prémio Jabuti2006.

Um trecho do conto pela voz do autor:
http://www.cosacnaify.com.br/noticias/gabrielnoticia/gabitodo.mp3

quarta-feira, fevereiro 22

A vida é bela I


Somos uma sociedade mundial intragável, imprópria para consumo, poderia usar outros tantos adjectivos menos agradáveis para descrever esta civilização, desprovida de todos ou da maior parte dos valores que nos fazem sentir e ser Homens, e não ratos, senão analizemos.
Posso começar por falar da nossa pequena "comunidade", chamada de Portugal, Portugal esse que orgulhosamente nos corre nas veias, sim o Portugal dos pacóvios, quando estremece pelas vitórias airosas da selecção das quinas sobre os adversários de outras nacionalidades, é um facto, também eu vibrei e fiquei eufórico com a prestação e representação dos Tugas no Europeu 2004 de futebol, só não faço parte dessa conspiração de estúpidos.
O Portugal de que nos orgulhamos, de há 500 anos ter sido uma nação de exploradores na era dos descobrimentos e ser "dona" de metade do mundo. E quando juntamente com os nuestros hermanos formava a Invencível Armada, para combater os Ingleses, isso sim é digno de nos sentirmos orgulhosos, contudo, são apenas memórias. Os Espanhois, esses que ainda hoje se podem orgulhar de algo mais, pois económicamente, estão bem mais fortalecidos, têm efectivamente uma qualidade de vida que nós em muitos anos não iremos conseguir ter, e mais, nos dias que correm, em que se atravessa uma crise económica mundial, cujo os maiores grupos económicos se refletem disso mesmo.
Falemos do orgulho de ser português, que teve um 25 de Abril, para se soltar das amarras duma ditadura que durou tempo demais. Falemos do orgulho de ser português, quando recentemente tivemos um par de lésbicas, que tiveram direito de antena, a abertura de telejornais, quando despreconceituosamente anunciavam ao país que queriam unir-se pelo matrimónio, e que, chegada a data e hora marcada para o evento, saíram do registo cívil solteirinhas como lá entraram, será que que ninguém conseguiu explicar a estas duas alminhas, que a união pelo matrimónio entre pessoas do mesmo sexo não é tida como válida na legislação portuguesa, isto leva-me a pensar se as amigas apenas queriam somente provocar a opinião pública, porque realmente o que nos mais falta faz é conflitos, é de aproveitar o alvoroço em que se encontra o país, aproveitar o momento para gerar mais confusão, até chegar ao ponto de ruptura, em que não sabemos no que havemos de nos concentrar.
No resto do mundo, as coisas estão na mesma, arrisco-me a dizer que estão pior, vejamos a questão dos cartoons a título de exemplo, definitivamente não acredito que sejam estes (cartoons) os causadores dos motins causados pela comunidade Muçulmana, à laia de protesto pela profanação da imagem do seu profeta Maomé. Ora bem, isto remete-nos para alguns temas de discussão sobre a democracia e sobre a liberdade de expressão.
A democracia está a meu ver a necessitar de reformas de adaptação, digo isto sem no entanto pretender gratuitamente mal-dizer da mesma, provavelmente sem esta, não poderia expressar a minha singela opinião acerca de muitos assuntos, sendo este um deles.
O que pretendo acima de tudo dizer é que - e isto directamente - sobre a comunicação social, que abusa do seu estatuto como suporte de informação, afirmando e se defendendo pela liberdade de expressão. Quando tudo se pode dizer pisando a liberdade dos outros, quando se ofendem crenças, valores e costumes... Porque eu não tenho o direito de dizer mal das religiões, que como agnóstico me afirmo, poder dizer por palavras ou por imagens o que penso e sinto, confere-me apenas o direito de poder ser o que quero, de acreditar no que quero, de poder fundamentar os meus argumentos, perante a minha verdade, não posso desrespeitar as pessoas para quem a religião é essencial para a sua vida como o "pão para a boca".
Agora... não acredito mínimamente que esse seja o mote para causar provavelmente uma 3ª guerra mundial, entre cristãos e muçulmanos e quem sabe entre as outras tantas religiões também.
Já não se trata de fundamentalismos e fanatismos religiosos, é pura política concerteza, há que destabilizar o mundo, as mentes, as vontades, é necessário criar guerras para se mudar as ecónomias.

Isto senhores... É a teoria da conspiração.
Quem, senão que os media para veícular toda esta informação e determinar o que pode acontecer amanhã...

KillingJoke
A vida é bela!!!

quarta-feira, fevereiro 8

Reflexões e Pensamentos


A Busca da Felicidade ou do Sofrimento

O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Albert Camus,
in "O Homem Revoltado"

BARCELONA

ESPANHA BARCELONA - BARCA NONA

Ninguém fica indiferente a Barcelona. A cidade das artes e da vanguarda criativa mantém todo o seu charme enquanto renova o seu velho tecido urbano e lança novas tendências, novas formas de estar. Em pleno bairro de Eixample, das avenidas elegantes e edifícios artenova, ou nas ruelas intricadas do Bairro Gótico, um punhado de hotéis e restaurantes marca a movida catalã...com o grupo Tragaluz a dar cartas. Interiores de design, bom ambiente, hospitalidade e boa mesa é o que fica de uns dias em Barcelona. E para nós, portugueses, com uma empatia especial – somos povos parecidos, nos hábitos e na atitude perante a vida – que nos faz sentir como em casa. E à cidade das paixões... volta-se sempre
■1h30 de avião, 1.200km de carro.
■Até 26 de Fevereiro, exposição “Rembrandt - A Luz da Sombra”, La Pedrera, entrada livre Até 5 de Março
■Exposição de Stanley Brouwn no Macba, macba.es, €7
■Este ano o Museu Picasso celebra, com vários eventos, os 100 anos da relação do pintor com Barcelona, museupicasso.bcn.es
AO FIM DO DIA OU NÃO
O Parc Güell vale mesmo a visita, apesar de estar, ou precisamente por isso, afastado do roteiro turístico. É aqui que se entende a criatividade ilimitada de Antoni Gaudí e pode ser simpático aproveitar esta primeira abordagem visual de Barcelona, que se apanha estendida até ao mar, com as torres de Barceloneta incluídas
CAPITAL DAS ARTES e dominando a ligação das mais arcaicas às mais recentes tendências artísticas BARCELONA É SEDUÇÃO PURA
FAZENDO FÉ no novíssimo provérbio nacional segundo o qual “viagens” pelo Velho Continente são para se fazer antes dos trinta e depois dos setenta, assegurando-se assim quase meia década de tempo e vontade para explorar os outros continentes mais exóticos, cheguei a Barcelona com a inocência de uma menina e igual dose de sobranceria. Nunca lá o meu pé fora posto, nada sabia da cidade senão as usuais considerações sobre Gaudí, Miralles e afins, e não fizera dela meu destino por opção turística. Ou sequer profissional. Ou seja, eu não escolhera ir a Barcelona. O que não deixava de ser ume xcelente ponto de partida para uma prospecção de um destino a recomendar a leitores de uma revista de viagens. Fosse a cidade capaz de me conquistar…Barcelona, recorrendo a cada uma das suas muitas virtudes – a de Capital das Artes, do Design sobretudo, e da ligação às mais recentes tendências artísticas, capital dos estudantes criativos, dos intercâmbios planetários de jovens sonhadores, da vida airosa nas ramblas, dos lances de génio que a projectam diariamente no futuro e lhe protegem o passado, senhora absoluta dos prazeres profanos da boa vida que se entende como tal neste novo milénio – enfim, Barcelona e as suas mil artimanhas de sedutora, conquistara uma parte de mim, muito antes de eu me dar conta da conquista. Barcelona conquistara-me uma filha, número perfeito a inserir-se como luva na estatística da tal juventude que inunda a cidade com dezenas de nacionalidades diferentes. E, agora, a si me atraía, através da lusa saudade desse pedaço de mim. Assim, aí aterrei, e assim me dispus a cumprir este meu destino.
SAUDADES RESGATADAS em plena Plaça de Catalunya, impus a minha condição de viajante quase sénior para exigir uma hora de recuperação de viagem na promessa que o hotel escolhido fizera através do site. “O Hotel Cram é o hotel design moderno da cidade, onde inovação e elegância coabitam. Apenas a fachada, construída em 1892, permaneceu. Tectos pintados a preto, cores fortes e sensação de movimento criado pelas luzes e elementos com água caracterizam as áreas comuns. É um local ideal para se reunir apreciando a beleza, gastronomia e cultura.” A descrição virtual correspondia à realidade. Do século XIX, ao Cram apenas resta mesmo a fachada. Encaixada num dos favos peculiares a Barcelona, primeiro arrazoado dos recém-adquiridos conhecimentos arquitectónico-urbanos com que a minha descendência transformada em barcelonesa me brindou. “Toma um banho para depois te levar ao fim do dia ao Güell.” Obedeci, bendizendo a total modernidade do Cram, que me bafejou com uma casa de banho aquecida, roupões, cremes, champôs, música e demais imperativos do século XXI. Por mim, o fim de tarde seria ali mesmo, sobre a cama com vista para a avenida, a descoberta do Güell adiada para a manhã seguinte… Que não foi.
Luísa Jacobetty
in Blue Travel
Nota: Muitas coisas ficaram por escrever sobre este belíssimo artigo, Barcelona, sem dúvida um destino dos "meus sonhos".
KJ

segunda-feira, janeiro 23

Ir a copos...

Enoteca de Lisboa

Duas mezzanines transformaram o Chafariz da Mãe d’Água num bar para apreciadores de vinho. Esta original combinação entre o antigo e o moderno convida a uma conversa bem regada.
O vinho a copo pode parecer um costume das velhas tabernas quase desaparecidas, mas é uma maneira eficaz de apreciar uma grande variedade de vinhos. Esta foi uma das inovações que João Paulo Martins quis implementar quando, há sete anos, se juntou aos sócios para dar vida à Enoteca de Lisboa, também conhecida por Chafariz do Vinho. “Aqui o vinho é a estrela. Temos petiscos, mas apenas servem para acompanhar a bebida e não o contrário”, refere o jornalista e autor da especialdade. Os mexilhões al pesto, o queijo Chèvre sobre tosta com tomate e aromas silvestres, a morcela de arroz com grelos ou o requeijão com doce de abóbora fazem parte do menu de prova. Entre portugueses e argentinos, chilenos, franceses e alemães, são cerca de 300 os vinhos guardados na original adega, feita nos corredores que transportavam a água desde o Príncipe Real até à Praça da Alegria.
Um aproveitamento eficaz de um sítio que tem a variação de temperatura aconselhada para preservar as qualidades do vinho. Aqui não pode faltar a Barca Velha, o Porto ou o Madeira e ainda se encontram verdadeiras preciosidades como o Château d’Yquem, cuja garrafa custa cerca de €500.
Nem todas as garrafas se servem a copo, mas a lista é grande, variada e rotativa, para satisfazer todos os gostos. “Pena é os portugeses serem pouco aventureiros. Preferem beber um mau tinto a experimentar um bom branco e não costumam pedir vinhos estrangeiros”, lamenta João Paulo.
Mas os gostos também se educam e o Porto Tónico (igual ao gin, mas feito com Porto branco seco) e o Kir Royal, é uma bebida típica do sul de França, já estão entre as preferências dos clientes.

ENOTECA DE LISBOA,
CHAFARIZ DO VINHO

Contacto
Rua Mãe d’Água
(à Praça da Alegria, em Lisboa)
Tel.: 213 422 079
www.chafarizdovinho.com

Horário
De terça a domingo, das 18h às 02h.
Encerra à segunda

Preço
Menu de prova: €25.

Era uma vez... AFREUDITE

Quando uma mulher rejeita o convite de um homem
para jantar,
não quer dizer que lhe falte apetite pela comida,
mas sim pelo homem.
O segredo das carícias é o impalpável.
Ter uma receita com os ingredientes certos
não é suficiente.
Para além disso é necessário um dom.
O olfacto deve chegar à essência
daquilo que se tem entre mãos
e a cozinha exige um verdadeiro acto de amor
na confecção de cada prato.
O meu gosto pela comida afrodisíaca
tem mais a ver com o prazer de fazer amor
do que pela comida em si.
Cada prato que sai das minhas mãos
leva este instinto implícito.
Em viagens à volta do mundo
fui descobrindo ingredientes e especiarias
que ajudam o "instinto" a libertar-se.
O objectivo da comida afrodisíaca
é inundar os sentidos e cultivar o desejo.
O hedonismo é necessário para tudo,
tanto para comer bem como para amar bem.
O prazer é maior
quando as coisas acontecem no seu devido momento.
Na cama o desejo chama-se "líbido"
e na cozinha "fome".
A líbido e a fome têm um aliado comum:
a imaginação…

Um grupo de três amigos (Cláudia, Rui e Bruno) que ao observarem o sector da restauração, detectaram que havia um mercado ainda por explorar. Decorria o ano de 1998, e os restaurantes existentes restringiam-se aos tradicionais e a alguns temáticos ligados à gastronomia de outros países.
Cria-se o conceito...
Quando, após uma análise mais aprofundada, decidem abrir um restaurante que fosse diferente, inovador e que explorasse uma temática específica: gastronomia afrodisíaca.
A receita juntava a psicologia de Cláudia, a gestão empresarial de Rui e a engenharia informática de Bruno. Mas foi o elemento feminino do grupo que impôs a carga romântica e psicológica ao empreendimento.

A Missão, a que se propunham era iniciar um projecto cultural, aliado à vertente gastronómica. Como Visão do negócio defendiam a máxima: “O que vendemos é um sonho/ilusão. O cliente, ou acredita e resulta, ou não acredita e não resulta. É quase como ir ao Circo.”
Pretendia-se criar uma alternativa original para casais de consumidores, pertencentes às Classes B e C1, com profissões liberais.

Finalmente...
Em 24 de Novembro de 2000, inaugura-se o tão arrojado projecto! O nome do restaurante: Afreudite - surge da combinação de Afrodite (a deusa grega do Amor) com Freud (o teórico dos impulsos sexuais).
O serviço limitava-se ao jantar e desde o primeiro dia revelou-se um enorme sucesso, com a capacidade lotada quase todas as noites. Este facto levou a que se funcionasse através de reservas de mesa, evitando filas de espera.
Por se tratar de um conceito inovador, não tinham a percepção clara de qual seria a aceitabilidade do mercado, pelo que, optaram por um espaço relativamente pequeno, com uma capacidade de 40 lugares sentados, que lhes possibilitava oferecer um ambiente acolhedor e familiar.
A localização escolhida teve em conta o próprio conceito do restaurante e toda a mística em torno deste. Situada na zona residencial do Parque das Nações, numa área que todos conhecem, mas poucos sabem exactamente onde é. O objectivo prende-se com a noção de exclusividade que se quer transmitir, sendo para o cliente um privilégio conhecer a localização exacta e poder desfrutar deste serviço. (Ver Anexo 2)
Assim que se chega junto do último lote do Passeio das Garças, o olfacto é o primeiro dos sentidos a funcionar. A mistura de plantas e outras especiarias ditas afrodisíacas saem à rua e convidam a um jantar a dois.
E acção...!
Logo que entra, o cliente depara-se com uma atmosfera distinta de qualquer outro tipo de restaurante, onde até os cheiros que pairam no ar são diferentes. Durante a refeição está sujeito a uma série de rituais, que o envolvem num ambiente místico. A música seleccionada é puramente alternativa, todas as mesas têm velas, toalhas e guardanapos de pano brancos. Ao sentar-se é apresentada, ao elemento feminino do casal, uma caixa com “tubinhos” verdes e vermelhos (os verdes são poemas de amor, os vermelhos são poemas eróticos) da qual ela deve retirar um, que lhe será lido pelo elemento masculino.
O Menu é em tudo diferente do convencional. Os nomes dos pratos invocam temáticas eróticas e a sua descrição é envolvente e apaixonada. Para a confecção destes foram criadas novas receitas e são utilizados ingredientes que provêem de diferentes continentes, resultando numa apresentação de aspecto complexo e original.