quarta-feira, fevereiro 22

A vida é bela I


Somos uma sociedade mundial intragável, imprópria para consumo, poderia usar outros tantos adjectivos menos agradáveis para descrever esta civilização, desprovida de todos ou da maior parte dos valores que nos fazem sentir e ser Homens, e não ratos, senão analizemos.
Posso começar por falar da nossa pequena "comunidade", chamada de Portugal, Portugal esse que orgulhosamente nos corre nas veias, sim o Portugal dos pacóvios, quando estremece pelas vitórias airosas da selecção das quinas sobre os adversários de outras nacionalidades, é um facto, também eu vibrei e fiquei eufórico com a prestação e representação dos Tugas no Europeu 2004 de futebol, só não faço parte dessa conspiração de estúpidos.
O Portugal de que nos orgulhamos, de há 500 anos ter sido uma nação de exploradores na era dos descobrimentos e ser "dona" de metade do mundo. E quando juntamente com os nuestros hermanos formava a Invencível Armada, para combater os Ingleses, isso sim é digno de nos sentirmos orgulhosos, contudo, são apenas memórias. Os Espanhois, esses que ainda hoje se podem orgulhar de algo mais, pois económicamente, estão bem mais fortalecidos, têm efectivamente uma qualidade de vida que nós em muitos anos não iremos conseguir ter, e mais, nos dias que correm, em que se atravessa uma crise económica mundial, cujo os maiores grupos económicos se refletem disso mesmo.
Falemos do orgulho de ser português, que teve um 25 de Abril, para se soltar das amarras duma ditadura que durou tempo demais. Falemos do orgulho de ser português, quando recentemente tivemos um par de lésbicas, que tiveram direito de antena, a abertura de telejornais, quando despreconceituosamente anunciavam ao país que queriam unir-se pelo matrimónio, e que, chegada a data e hora marcada para o evento, saíram do registo cívil solteirinhas como lá entraram, será que que ninguém conseguiu explicar a estas duas alminhas, que a união pelo matrimónio entre pessoas do mesmo sexo não é tida como válida na legislação portuguesa, isto leva-me a pensar se as amigas apenas queriam somente provocar a opinião pública, porque realmente o que nos mais falta faz é conflitos, é de aproveitar o alvoroço em que se encontra o país, aproveitar o momento para gerar mais confusão, até chegar ao ponto de ruptura, em que não sabemos no que havemos de nos concentrar.
No resto do mundo, as coisas estão na mesma, arrisco-me a dizer que estão pior, vejamos a questão dos cartoons a título de exemplo, definitivamente não acredito que sejam estes (cartoons) os causadores dos motins causados pela comunidade Muçulmana, à laia de protesto pela profanação da imagem do seu profeta Maomé. Ora bem, isto remete-nos para alguns temas de discussão sobre a democracia e sobre a liberdade de expressão.
A democracia está a meu ver a necessitar de reformas de adaptação, digo isto sem no entanto pretender gratuitamente mal-dizer da mesma, provavelmente sem esta, não poderia expressar a minha singela opinião acerca de muitos assuntos, sendo este um deles.
O que pretendo acima de tudo dizer é que - e isto directamente - sobre a comunicação social, que abusa do seu estatuto como suporte de informação, afirmando e se defendendo pela liberdade de expressão. Quando tudo se pode dizer pisando a liberdade dos outros, quando se ofendem crenças, valores e costumes... Porque eu não tenho o direito de dizer mal das religiões, que como agnóstico me afirmo, poder dizer por palavras ou por imagens o que penso e sinto, confere-me apenas o direito de poder ser o que quero, de acreditar no que quero, de poder fundamentar os meus argumentos, perante a minha verdade, não posso desrespeitar as pessoas para quem a religião é essencial para a sua vida como o "pão para a boca".
Agora... não acredito mínimamente que esse seja o mote para causar provavelmente uma 3ª guerra mundial, entre cristãos e muçulmanos e quem sabe entre as outras tantas religiões também.
Já não se trata de fundamentalismos e fanatismos religiosos, é pura política concerteza, há que destabilizar o mundo, as mentes, as vontades, é necessário criar guerras para se mudar as ecónomias.

Isto senhores... É a teoria da conspiração.
Quem, senão que os media para veícular toda esta informação e determinar o que pode acontecer amanhã...

KillingJoke
A vida é bela!!!

quarta-feira, fevereiro 8

Reflexões e Pensamentos


A Busca da Felicidade ou do Sofrimento

O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Albert Camus,
in "O Homem Revoltado"

BARCELONA

ESPANHA BARCELONA - BARCA NONA

Ninguém fica indiferente a Barcelona. A cidade das artes e da vanguarda criativa mantém todo o seu charme enquanto renova o seu velho tecido urbano e lança novas tendências, novas formas de estar. Em pleno bairro de Eixample, das avenidas elegantes e edifícios artenova, ou nas ruelas intricadas do Bairro Gótico, um punhado de hotéis e restaurantes marca a movida catalã...com o grupo Tragaluz a dar cartas. Interiores de design, bom ambiente, hospitalidade e boa mesa é o que fica de uns dias em Barcelona. E para nós, portugueses, com uma empatia especial – somos povos parecidos, nos hábitos e na atitude perante a vida – que nos faz sentir como em casa. E à cidade das paixões... volta-se sempre
■1h30 de avião, 1.200km de carro.
■Até 26 de Fevereiro, exposição “Rembrandt - A Luz da Sombra”, La Pedrera, entrada livre Até 5 de Março
■Exposição de Stanley Brouwn no Macba, macba.es, €7
■Este ano o Museu Picasso celebra, com vários eventos, os 100 anos da relação do pintor com Barcelona, museupicasso.bcn.es
AO FIM DO DIA OU NÃO
O Parc Güell vale mesmo a visita, apesar de estar, ou precisamente por isso, afastado do roteiro turístico. É aqui que se entende a criatividade ilimitada de Antoni Gaudí e pode ser simpático aproveitar esta primeira abordagem visual de Barcelona, que se apanha estendida até ao mar, com as torres de Barceloneta incluídas
CAPITAL DAS ARTES e dominando a ligação das mais arcaicas às mais recentes tendências artísticas BARCELONA É SEDUÇÃO PURA
FAZENDO FÉ no novíssimo provérbio nacional segundo o qual “viagens” pelo Velho Continente são para se fazer antes dos trinta e depois dos setenta, assegurando-se assim quase meia década de tempo e vontade para explorar os outros continentes mais exóticos, cheguei a Barcelona com a inocência de uma menina e igual dose de sobranceria. Nunca lá o meu pé fora posto, nada sabia da cidade senão as usuais considerações sobre Gaudí, Miralles e afins, e não fizera dela meu destino por opção turística. Ou sequer profissional. Ou seja, eu não escolhera ir a Barcelona. O que não deixava de ser ume xcelente ponto de partida para uma prospecção de um destino a recomendar a leitores de uma revista de viagens. Fosse a cidade capaz de me conquistar…Barcelona, recorrendo a cada uma das suas muitas virtudes – a de Capital das Artes, do Design sobretudo, e da ligação às mais recentes tendências artísticas, capital dos estudantes criativos, dos intercâmbios planetários de jovens sonhadores, da vida airosa nas ramblas, dos lances de génio que a projectam diariamente no futuro e lhe protegem o passado, senhora absoluta dos prazeres profanos da boa vida que se entende como tal neste novo milénio – enfim, Barcelona e as suas mil artimanhas de sedutora, conquistara uma parte de mim, muito antes de eu me dar conta da conquista. Barcelona conquistara-me uma filha, número perfeito a inserir-se como luva na estatística da tal juventude que inunda a cidade com dezenas de nacionalidades diferentes. E, agora, a si me atraía, através da lusa saudade desse pedaço de mim. Assim, aí aterrei, e assim me dispus a cumprir este meu destino.
SAUDADES RESGATADAS em plena Plaça de Catalunya, impus a minha condição de viajante quase sénior para exigir uma hora de recuperação de viagem na promessa que o hotel escolhido fizera através do site. “O Hotel Cram é o hotel design moderno da cidade, onde inovação e elegância coabitam. Apenas a fachada, construída em 1892, permaneceu. Tectos pintados a preto, cores fortes e sensação de movimento criado pelas luzes e elementos com água caracterizam as áreas comuns. É um local ideal para se reunir apreciando a beleza, gastronomia e cultura.” A descrição virtual correspondia à realidade. Do século XIX, ao Cram apenas resta mesmo a fachada. Encaixada num dos favos peculiares a Barcelona, primeiro arrazoado dos recém-adquiridos conhecimentos arquitectónico-urbanos com que a minha descendência transformada em barcelonesa me brindou. “Toma um banho para depois te levar ao fim do dia ao Güell.” Obedeci, bendizendo a total modernidade do Cram, que me bafejou com uma casa de banho aquecida, roupões, cremes, champôs, música e demais imperativos do século XXI. Por mim, o fim de tarde seria ali mesmo, sobre a cama com vista para a avenida, a descoberta do Güell adiada para a manhã seguinte… Que não foi.
Luísa Jacobetty
in Blue Travel
Nota: Muitas coisas ficaram por escrever sobre este belíssimo artigo, Barcelona, sem dúvida um destino dos "meus sonhos".
KJ