quarta-feira, fevereiro 8

BARCELONA

ESPANHA BARCELONA - BARCA NONA

Ninguém fica indiferente a Barcelona. A cidade das artes e da vanguarda criativa mantém todo o seu charme enquanto renova o seu velho tecido urbano e lança novas tendências, novas formas de estar. Em pleno bairro de Eixample, das avenidas elegantes e edifícios artenova, ou nas ruelas intricadas do Bairro Gótico, um punhado de hotéis e restaurantes marca a movida catalã...com o grupo Tragaluz a dar cartas. Interiores de design, bom ambiente, hospitalidade e boa mesa é o que fica de uns dias em Barcelona. E para nós, portugueses, com uma empatia especial – somos povos parecidos, nos hábitos e na atitude perante a vida – que nos faz sentir como em casa. E à cidade das paixões... volta-se sempre
■1h30 de avião, 1.200km de carro.
■Até 26 de Fevereiro, exposição “Rembrandt - A Luz da Sombra”, La Pedrera, entrada livre Até 5 de Março
■Exposição de Stanley Brouwn no Macba, macba.es, €7
■Este ano o Museu Picasso celebra, com vários eventos, os 100 anos da relação do pintor com Barcelona, museupicasso.bcn.es
AO FIM DO DIA OU NÃO
O Parc Güell vale mesmo a visita, apesar de estar, ou precisamente por isso, afastado do roteiro turístico. É aqui que se entende a criatividade ilimitada de Antoni Gaudí e pode ser simpático aproveitar esta primeira abordagem visual de Barcelona, que se apanha estendida até ao mar, com as torres de Barceloneta incluídas
CAPITAL DAS ARTES e dominando a ligação das mais arcaicas às mais recentes tendências artísticas BARCELONA É SEDUÇÃO PURA
FAZENDO FÉ no novíssimo provérbio nacional segundo o qual “viagens” pelo Velho Continente são para se fazer antes dos trinta e depois dos setenta, assegurando-se assim quase meia década de tempo e vontade para explorar os outros continentes mais exóticos, cheguei a Barcelona com a inocência de uma menina e igual dose de sobranceria. Nunca lá o meu pé fora posto, nada sabia da cidade senão as usuais considerações sobre Gaudí, Miralles e afins, e não fizera dela meu destino por opção turística. Ou sequer profissional. Ou seja, eu não escolhera ir a Barcelona. O que não deixava de ser ume xcelente ponto de partida para uma prospecção de um destino a recomendar a leitores de uma revista de viagens. Fosse a cidade capaz de me conquistar…Barcelona, recorrendo a cada uma das suas muitas virtudes – a de Capital das Artes, do Design sobretudo, e da ligação às mais recentes tendências artísticas, capital dos estudantes criativos, dos intercâmbios planetários de jovens sonhadores, da vida airosa nas ramblas, dos lances de génio que a projectam diariamente no futuro e lhe protegem o passado, senhora absoluta dos prazeres profanos da boa vida que se entende como tal neste novo milénio – enfim, Barcelona e as suas mil artimanhas de sedutora, conquistara uma parte de mim, muito antes de eu me dar conta da conquista. Barcelona conquistara-me uma filha, número perfeito a inserir-se como luva na estatística da tal juventude que inunda a cidade com dezenas de nacionalidades diferentes. E, agora, a si me atraía, através da lusa saudade desse pedaço de mim. Assim, aí aterrei, e assim me dispus a cumprir este meu destino.
SAUDADES RESGATADAS em plena Plaça de Catalunya, impus a minha condição de viajante quase sénior para exigir uma hora de recuperação de viagem na promessa que o hotel escolhido fizera através do site. “O Hotel Cram é o hotel design moderno da cidade, onde inovação e elegância coabitam. Apenas a fachada, construída em 1892, permaneceu. Tectos pintados a preto, cores fortes e sensação de movimento criado pelas luzes e elementos com água caracterizam as áreas comuns. É um local ideal para se reunir apreciando a beleza, gastronomia e cultura.” A descrição virtual correspondia à realidade. Do século XIX, ao Cram apenas resta mesmo a fachada. Encaixada num dos favos peculiares a Barcelona, primeiro arrazoado dos recém-adquiridos conhecimentos arquitectónico-urbanos com que a minha descendência transformada em barcelonesa me brindou. “Toma um banho para depois te levar ao fim do dia ao Güell.” Obedeci, bendizendo a total modernidade do Cram, que me bafejou com uma casa de banho aquecida, roupões, cremes, champôs, música e demais imperativos do século XXI. Por mim, o fim de tarde seria ali mesmo, sobre a cama com vista para a avenida, a descoberta do Güell adiada para a manhã seguinte… Que não foi.
Luísa Jacobetty
in Blue Travel
Nota: Muitas coisas ficaram por escrever sobre este belíssimo artigo, Barcelona, sem dúvida um destino dos "meus sonhos".
KJ

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